Expo Milão

Milão - Itália

Expo Milão

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2014 | CONCURSO

Andrya Kohlmann | Rafael Lorentz

 

A pergunta fundamental para a proposta desenvolvida para o concurso realizado para selecionar o projeto do pavilhão do Brasil na Exposição Mundial de 2015 foi: Afinal, qual Brasil estará presente na Expo? Certamente não aquele definido por uma imagem estereotipada e antiga, reduzida ao samba, ao futebol, às praias e ao tão falado “jeitinho”. O Brasil que estará presente na Expo é um Brasil pouco conhecido do mundo, um pais de vanguarda científica e tecnológica, líder mundial em inúmeros setores, campeão na produção de alimentos. Um país continental construído com a força do trabalho e da inovação de seu povo, em ressonância com a imensidão de seu patrimônio natural. Ou seja, uma garantia para o desenvolvimento futuro da humanidade.

Assim, o objetivo principal da participação do país na Expo 2015 é apresentar este Brasil desconhecido ao mundo, para que ele passe a nos conhecer por como somos realmente, e sinta-se parte desta nação global.

A primeira parte da exposição representa a PAISAGEM (“campo”). É composta de uma experiência imersível na qual o visitante é impactado pela imponência do horizonte brasileiro. Em um trajeto ascendente, o visitante se encontra em um campo iluminado, composto por hastes iluminadas com LED. Ao seu redor, em grandes telas, ele visualiza a imensidão dos campos de produção brasileiros. Nesta etapa serão apresentadas sucessivamente, 5 das principais culturas de produção de alimentos no país: Café (MG); Soja (MT); Arroz (RS); Laranja (SP) e Cacau (BA). As cores do “campo luminoso” acompanham essa mudança e variam de acordo com as paisagens.

Cada uma das diferentes paisagens exibidas, é composta de um registro em “time lapse” de um dia de trabalho. Assim, o visitante mergulha em um Brasil que ele não conhece, imponente em suas dimensões e inovador nas tecnologias  empregadas, onde a produção de alimentos desempenha um grande papel na definição das paisagens, integrada com a imensidão e a diversidade do ambiente natural.

Ao longo da experimentação deste espaço, em uma proposta de “Edutainement”, o visitante recebe informações a respeito do mundo da produção de alimentos no Brasil, através de pessoas que possuam relação com a cadeia produtiva e de consumo da cultura apresentada naquela paisagem. De forma interativa ao longo do caminho, ele pode escolher quais pessoas “conhecerá” em totens sensíveis ao toque, e ser apresentado a um cientista que trabalha na melhoria genética das  sementes, ou a um funcionário de uma indústria de máquinas agrícolas, por exemplo.

A ideia é mostrar a força natural e a diversidade do país, bem como a complexidade do universo da produção de alimentos no Brasil e o quanto gera riqueza, trabalho e cultura.

A segunda parte representa a CULTURA (“cidade”), e apresenta os fenômenos culturais criados e influenciados pela riqueza gerada com a produção de alimentos, tendo como principal manifestação as cidades.

Se o primeiro espaço incentiva a descoberta deste novo Brasil ao visitante de forma individual, o segundo configura um grande espaço de interação e festa. Durante este novo trajeto o visitante será apresentado ao cotidiano de diferentes cidades brasileiras  (selecionadas e relacionadas de acordo com as regiões das “paisagens” anteriormente apresentadas) pelo mesmo sistema de grandes telas com vídeos em “time-lapse”.

Assim como na primeira parte da exposição, nesta segunda etapa os visitantes também serão apresentados a diferentes pessoas, recebendo informações do país através das suas histórias e das cidades nas quais elas vivem.

O trajeto converge para o espaço central da exposição, no qual estarão dispostas grandes mesas em torno das quais os visitantes podem sentar-se, interagir entre si e apreciar as atividades degustativas e culturais oferecidas durante a feira. Nesta área estarão também dispostos exemplares dos principais produtos culturais brasileiros, como livros e discos, que poderão ser apreciados pelos visitantes em confortáveis áreas de estar, ou até mesmo levados para casa.

Enquanto a primeira parte da exposição representa o Brasil da produção, da força do campo e da inovação, a segunda representa a grande riqueza cultural e humana gerada e sustentada, seja pelo desenvolvimento econômico a partir da produção, seja pelas expressões culturais relacionadas ao alimento.

A relação entre a primeira e a segunda parte da exposição pode ser explicada como uma metáfora entre o campo e a cidade, onde o campo gera a riqueza que depois, na cidade, se transforma em cultura, conhecimento, alegria, festa e interação social.

 

Da mesma forma, o mosaico luminoso de rostos visto pelos visitantes do lado de fora, é já uma resposta à pergunta da fachada: «Qual Brasil?»

 

O Brasil presente na Expo é aquele apresentado ao longo do pavilhão, formado pela história e pelo trabalho daquelas pessoas, que unem-se para construir uma grande nação. O visitante, quando é convidado a tirar uma foto sua para integrar o mosaico, sente-se parte dessa construção, desta nação composta de gente tão diversa na qual cabe o mundo.


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